Disputas se estendem por tecnologia e comércio
Uma série de medidas, acusações e respostas oficiais entre China e Estados Unidos abrange inteligência artificial, robótica, equipamentos de energia, produtos ligados a Xinjiang, drones e infraestrutura óptica para centros de dados. Os episódios ocorrem antes da planejada visita de Xi Jinping a Washington para uma cúpula com Donald Trump, conforme a fonte.
Em meados de julho, a startup sediada em Pequim Moonshot AI apresentou o Kimi K3, descrito como um modelo de linguagem de pesos abertos com 2,8 trilhões de parâmetros. Dias depois, Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, acusou a empresa de usar destilação de modelos para copiar o Claude Fable, da Anthropic. Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, afirmou que companhias chinesas envolvidas em ataques de destilação em escala industrial que cruzassem a linha para roubo de propriedade intelectual poderiam sofrer sanções ou entrar na Entity List.
O Ministério do Comércio da China rejeitou as acusações e classificou a iniciativa como “um ato típico de hegemonismo em IA”, afirmando que adotaria “todas as medidas necessárias” para proteger direitos e interesses legítimos. Esse é o posicionamento oficial chinês relatado pela fonte.
Robótica, inversores e óptica entram no foco regulatório
A Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) ampliou sua Covered List para incluir dispositivos robóticos avançados e inversores de energia conectados produzidos no exterior. Segundo a fonte, a medida proíbe a importação e a venda de novos equipamentos dessas categorias, sem afetar dispositivos já adquiridos.
A FCC alegou riscos relacionados à manipulação de dados e da operação física de sistemas robóticos, além de vulnerabilidades associadas a inversores na rede elétrica. O Ministério das Relações Exteriores da China se opôs ao que chamou de ampliação do conceito de segurança nacional para reprimir empresas chinesas.
Também foi noticiado pela Reuters que a FCC preparava uma proibição para importações de novos transceptores ópticos fabricados na China, equipamentos usados para transmissão de dados em cabos de fibra óptica de centros de dados. A Reuters informou que autoridades buscavam publicar e implementar a medida ainda neste ano.
Listas de entidades, drones e diálogo bilateral
O Departamento de Segurança Interna dos EUA incluiu 43 empresas chinesas em sua lista de entidades sob a Lei de Prevenção ao Trabalho Forçado Uigur. A lista abrange setores como alimentos, algodão, produtos farmacêuticos, metais e produção de lítio. A legislação, aprovada em 2021, busca atingir importações da Região Autônoma Uigur de Xinjiang e impedir a entrada no mercado americano de bens supostamente produzidos com trabalho forçado.
O Ministério do Comércio da China rejeitou as alegações de trabalho forçado em Xinjiang e descreveu a ação americana como “coerção econômica”. Essa declaração representa a posição oficial de Pequim, não uma confirmação independente dos fatos em disputa.
Em uma videochamada, o vice-primeiro-ministro He Lifeng, Scott Bessent e o representante comercial dos EUA Jamieson Greer trataram de questões econômicas e comerciais. A Xinhua, agência estatal chinesa, informou que o lado chinês expressou séria preocupação com restrições recentes dos EUA. Bessent disse ter cobrado o cumprimento integral de compromissos sobre terras raras e produtos agrícolas americanos.
Na sequência, a China anunciou escrutínio rigoroso, caso a caso, para remessas de drones, componentes essenciais e tecnologias relacionadas destinadas aos EUA. Além disso, seis entidades americanas foram incluídas na lista chinesa de contramedidas, o que proíbe empresas e indivíduos chineses de negociar ou cooperar com elas. Uma sétima empresa foi incluída em lista restritiva por, segundo Pequim, auxiliar a FCC em medidas que ameaçariam a soberania chinesa.
Ponto de atenção para empresas brasileiras
Para gestores brasileiros com fornecedores, clientes ou operações expostos aos mercados chinês e americano, os fatos relatados indicam a necessidade de acompanhar regras aplicáveis a produtos e parceiros específicos, especialmente em tecnologia, equipamentos de energia, drones, conectividade óptica e setores alcançados por listas de entidades.
Não há confirmação independente nesta apuração, que utiliza somente uma fonte disponível. Antes de decisões comerciais, contratuais ou de compliance, a recomendação editorial é monitorar publicações oficiais das autoridades envolvidas e avaliar os requisitos efetivamente aplicáveis a cada operação.

