Geração dedicada ganha espaço
A demanda de data centers passou a ser apresentada por empresas de petróleo e gás como uma oportunidade para vender gás, dutos e geração elétrica. Ashish Sethia, da BloombergNEF, afirmou que os data centers se tornaram um importante motor da demanda por energia e gás nos Estados Unidos.
Segundo relatório citado da BloombergNEF, o aumento da demanda por gás natural até meados da década de 2030, parcialmente associado aos data centers, exigiria expansão de 36% na produção norte-americana.
A Williams está construindo seis usinas a gás atrás do medidor para data centers no país. Quatro dos projetos atendem data centers da Meta em Ohio. Esse modelo usa infraestrutura dedicada, sem conexão inicial à rede elétrica mais ampla.
Projetos combinam contratos longos e expansão de infraestrutura
Em meados de julho, a Williams anunciou mais de US$ 5 bilhões em investimentos em suas iniciativas para data centers, incluindo recursos da KKR. A companhia também constrói um gasoduto de 9 milhas em um subúrbio de Ohio e prevê que ele possa atender outros projetos de data centers na região.
A maior usina atrás do medidor que a Williams constrói para a Meta em Ohio terá pouco menos de 700 megawatts. Os contratos da Williams para fornecimento de energia aos data centers da Meta têm duração entre 10 e 12,5 anos.
A Chevron desenvolve, no Texas, um projeto de 2,67 gigawatts para um data center da Microsoft. As companhias assinaram um acordo de compra de energia com prazo de 20 anos. A Chevron informou ainda que já foi apresentado um pedido de interconexão da planta.
Emissões previstas em licenças exigem leitura separada
Os pedidos de licença de quatro usinas da Williams indicam potencial de até 9,6 milhões de toneladas anuais de gases de efeito estufa. A empresa afirmou que as instalações foram projetadas para operar abaixo dos limites autorizados e que sua modelagem aponta emissões potencialmente dois terços menores que os valores das licenças.
A licença da planta da Chevron e Microsoft aponta potencial de mais de 11,5 milhões de toneladas anuais de emissões equivalentes de dióxido de carbono. A Chevron declarou que a unidade foi projetada para cumprir exigências ambientais federais e estaduais.
Esses números são estimativas associadas às licenças, e não uma medição de emissões efetivamente realizadas. Por isso, devem ser interpretados de forma distinta de dados operacionais.
Recomendação editorial: avaliar energia como decisão de infraestrutura
Para gestores que contratam ou operam capacidade de data center, contratos de energia, prazo de fornecimento, dependência de uma infraestrutura dedicada e possibilidade futura de interconexão merecem avaliação conjunta com requisitos de capacidade e continuidade operacional.
Também é recomendável separar, nas análises internas, limites de emissão previstos em licenças, estimativas das empresas e dados efetivos de operação. Essa distinção ajuda a comparar propostas de fornecimento sem tratar valores potenciais como desempenho já comprovado.

