Thinkout TI
← Voltar ao RadarSegurança

Falhas no RouterOS colocam roteadores MikroTik expostos sob risco de controle remoto

Uma cadeia de duas falhas críticas no RouterOS está sendo explorada contra dispositivos MikroTik com SSH acessível pela internet. A fabricante lançou correções; o CERT da Polônia recomenda isolar e reconstruir equipamentos sob suspeita.

Compartilhar

WhatsAppFacebookLinkedIn

Thinkout TI | Falhas no RouterOS colocam roteadores MikroTik expostos sob risco de controle remoto

Cadeia de falhas permite controle administrativo

Atacantes estão explorando uma combinação de duas vulnerabilidades no MikroTik RouterOS para assumir o controle de dispositivos cujo serviço SSH está exposto à internet. O CERT da Polônia chamou a cadeia de exploração de MikroTrick e informou que ela está em exploração ativa.

A CVE-2026-67276 é uma falha de contorno de autenticação SSH causada pela validação incompleta de chaves públicas RSA. De acordo com a descrição, alguém que conheça um nome de usuário e o módulo público da chave desse usuário pode criar uma chave diferente e efetuar login sem a chave privada legítima.

A segunda vulnerabilidade, CVE-2026-86060, é uma falha de escalonamento de privilégios no SSH. Por meio de um nome de usuário especialmente elaborado, o invasor pode manipular a sessão SSH e obter privilégios administrativos completos.

Atualizações corrigem falhas e incluem detecção de indícios

A MikroTik corrigiu as vulnerabilidades nas versões RouterOS 7.25beta3, 7.24.2, 7.23.4 e 6.49.21, lançadas em 3 de setembro. O CERT da Polônia validou as correções.

As atualizações também incluem um mecanismo que procura, na inicialização, sinais conhecidos de alterações não autorizadas na configuração. Quando encontra esses sinais, o recurso desabilita entradas maliciosas e registra um alerta crítico.

O CERT ressalta, porém, que a ausência desse marcador não assegura que o roteador não tenha sido comprometido. A fabricante afirmou que nem todas as configurações são afetadas, sem detalhar quais, para dar tempo de atualização aos usuários.

Há uma terceira falha no serviço bandwidth-test

O CERT também destacou a CVE-2026-67277, que afeta o serviço bandwidth-test do RouterOS. A falha pode permitir que atacantes não autenticados obtenham vazamento de memória do kernel ou provoquem travamento ou reinicialização remota do roteador.

Em 5 de setembro, havia 122.500 dispositivos MikroTik com interface SSH exposta, conforme dados fornecidos pela The ShadowServer Foundation. O total de equipamentos efetivamente vulneráveis à cadeia MikroTrick não foi determinado.

Prioridades para a resposta das empresas

Como medida recomendada pelo CERT da Polônia, organizações que suspeitem de comprometimento devem isolar o roteador, preservar logs e a configuração, restaurar o equipamento ao padrão de fábrica e reconstruí-lo a partir de uma configuração confiável. A orientação inclui trocar senhas, chaves e outros segredos.

Para equipamentos que não possam ser atualizados imediatamente, a recomendação é restringir ou desabilitar o acesso externo a SSH, WWW/WWW-SSL e bandwidth-test. O CERT também orienta evitar os clientes SSH integrados e conexões TLS de saída em redes não confiáveis.

Editorialmente, a prioridade operacional é identificar quais roteadores mantêm esses serviços acessíveis por redes públicas, aplicar as versões corrigidas quando possível e tratar sinais de alteração não autorizada como evento que exige investigação.

Compartilhe este artigo

Ajude esta informação a chegar a quem toma decisões.

WhatsAppFacebookLinkedIn

Fontes consultadas