Estratégia privilegia integração de sistemas
Liao Heng, cientista-chefe do negócio de semicondutores da Huawei e arquiteto-chefe dos processadores Ascend de inteligência artificial, afirmou que a empresa vem priorizando inovação no nível de sistemas e codesenvolvimento próximo entre hardware e software.
Segundo a reportagem, as restrições impostas pelos Estados Unidos em 2019 e 2020 interromperam o acesso da Huawei à TSMC e a ferramentas avançadas de projeto de chips. Nesse contexto, a companhia transferiu seu pipeline do Ascend 910, anterior às sanções, para o Ascend 950.
A Huawei recorreu a arquitetura de sistemas, empilhamento de chips, interconexões optoeletrônicas e ao kit de software de código aberto CANN para conectar milhares de processadores em “supernós”, de acordo com a fonte.
Tau é uma projeção da própria Huawei
A Huawei apresentou em maio o Tau Scaling Law, descrito como um framework de projeto. A empresa afirma que o princípio poderá alcançar, em 2031, densidade de transistores equivalente à de um processo de 1,4 nanômetro.
Trata-se de uma declaração da Huawei, não de uma validação independente. A mesma reportagem registra a avaliação de analistas de que concorrentes globais com acesso às ferramentas de fabricação mais avançadas ainda manteriam vantagem.
Esses analistas também apontaram obstáculos associados ao método da Huawei, incluindo gerenciamento térmico, rendimento de fabricação e encapsulamento 3D avançado.
Software continua como ponto central
Liao avaliou que o principal gargalo chinês está no software, com destaque para o CUDA, kit proprietário da Nvidia. Em vez de reproduzir essa plataforma, a Huawei escolheu concentrar-se em arquitetura de sistemas e integração entre software e hardware.
Ele também citou desenvolvedores chineses de IA, como a DeepSeek, por usarem ativação esparsa e complexidade algorítmica para reduzir necessidades de computação. A reportagem atribui a essa abordagem resultados competitivos apesar das restrições de hardware.
Implicações para empresas brasileiras
Para empresas brasileiras que avaliam infraestrutura de IA, o caso reforça a importância de analisar a pilha completa — processadores, ferramentas de software, integração e operação — e não somente métricas de processo de fabricação.
Como a reportagem menciona riscos técnicos em calor, rendimento e encapsulamento, uma recomendação editorial é exigir testes de desempenho, compatibilidade de software, suporte operacional e custo energético antes de adotar qualquer plataforma baseada nessa estratégia.
Esta pauta tem apenas uma fonte disponível, o SCMP Technology. As informações não representam confirmação independente e devem ser acompanhadas antes de embasar decisões empresariais.

