Investigação aponta ao menos 14 alvos
A SHARE Foundation informou que ao menos 14 sérvios foram alvo de spyware avançado desde dezembro. A organização iniciou a apuração depois que 12 pessoas a procuraram afirmando ter recebido notificações de ameaça da Apple em agosto.
Segundo a reportagem, os pesquisadores identificaram dois tipos de spyware nos telefones das vítimas. O Citizen Lab confirmou que o telefone de um estudante manifestante foi infectado por Pegasus de zero clique entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
A Amnesty International, que realizou uma revisão por pares das conclusões da SHARE Foundation, confirmou o uso de uma nova forma do spyware Android NoviSpy em pelo menos dois casos. A análise forense de mais 11 telefones continuava em andamento.
Pegasus e NoviSpy têm formas de infecção distintas
A reportagem diferencia os dois programas pelo modo de acesso ao aparelho. O NoviSpy requer acesso físico ao telefone para a instalação, enquanto o Pegasus pode infiltrar o dispositivo sem interação da vítima e sem que o telefone seja apreendido.
Ambos têm capacidade de acessar fotos, contatos, mensagens e arquivos armazenados nos celulares, conforme descrito pela fonte. Um dos casos confirmados de NoviSpy envolveu mensagens de texto da vítima que, segundo a SHARE Foundation, foram lidas ao vivo por uma emissora de televisão sérvia favorável ao partido no poder.
Contexto e respostas citadas
A SHARE Foundation disse que o período dos alvos e das infecções coincidiu com eleições locais realizadas em março. Entre os alvos mencionados estão um parlamentar de oposição, um político local de oposição e estudantes manifestantes.
Radomir Lazović, parlamentar de oposição, afirmou que seu telefone estava entre os 14 alvos. A pesquisa forense para determinar se o ataque foi bem-sucedido ainda estava em curso. O telefone do estudante Ognjen Rašić também permanecia sob análise dos pesquisadores.
As autoridades sérvias negaram as acusações, segundo a reportagem. A agência de inteligência BIA classificou as alegações como “nada mais que sensacionalismo trivial”.

