Projeto é atribuído a fonte anônima
A RedNote, plataforma chinesa também conhecida domesticamente como Xiaohongshu, planeja um projeto de centro de dados de 600 megawatts na Região Autônoma da Mongólia Interior, segundo uma fonte anônima ouvida pelo South China Morning Post (SCMP). O orçamento seria de aproximadamente 15 bilhões de yuans, ou US$ 2,2 bilhões, sem incluir custos de semicondutores.
De acordo com essa fonte, a instalação poderia ficar em Ulanqab ou a oeste da cidade. A RedNote estaria em conversas com a operadora de centros de dados VNET e buscaria concluir a entrega no primeiro trimestre de 2027.
A RedNote e a VNET não responderam imediatamente ao pedido de comentário feito pelo jornal na sexta-feira. Portanto, os detalhes do projeto devem ser tratados como informações atribuídas a uma fonte anônima, e não como anúncio das companhias.
Computação entra no planejamento econômico chinês
Em briefing na sexta-feira, Jiang Yi, porta-voz da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), afirmou que o órgão espera 4 trilhões de yuans em investimentos na expansão da rede nacional de computação nos cinco anos do 15º plano quinquenal.
Segundo Jiang, os investimentos em infraestrutura de computação vêm majoritariamente de empresas. Ele também disse que a NDRC reforçaria orientação e apoio para criar um ambiente mais favorável aos investidores privados.
Esse posicionamento é uma declaração oficial da NDRC. Já o projeto atribuído à RedNote foi reportado com base em uma fonte anônima e não recebeu comentário imediato das empresas citadas.
IA amplia a demanda por infraestrutura
A RedNote desenvolveu a assistente de IA Diandian, descrita como capaz de resumir conteúdos, fazer recomendações e planejar viagens. O SCMP também informou que um modelo de IA da empresa obteve pontuação perfeita na Olimpíada Internacional de Matemática no início daquele mês.
A reportagem cita outros movimentos de infraestrutura: fontes disseram ao SCMP que a Zhipu AI construiu um centro de computação de IA de 1 gigawatt alimentado inteiramente por chips chineses. A DeepSeek informou em abril, por meio de anúncios de vagas, que recrutava engenheiros de manutenção de servidores e gerentes de entrega para acompanhar lançamentos de centros de dados em Ulanqab.
A Mongólia Interior é descrita pela reportagem como polo de grandes centros de dados, especialmente para cargas de IA, devido à disponibilidade de energia renovável e aos custos de eletricidade relativamente baixos.
Leitura para empresas brasileiras
Para gestores brasileiros que acompanham o mercado chinês, o caso sinaliza a relevância da capacidade de computação na estratégia de empresas digitais que incorporam IA a produtos e serviços. A oportunidade prática está em monitorar como projetos de infraestrutura podem influenciar demanda por soluções de data center, eficiência energética, operação e serviços ligados à IA.
O risco é tomar como fato consumado um projeto que, no texto disponível, é atribuído a uma fonte anônima e não foi comentado imediatamente por RedNote e VNET. Como esta apuração editorial dispõe de apenas uma fonte, recomenda-se acompanhar eventuais anúncios das empresas e novos desdobramentos antes de decisões empresariais.

