O movimento regulatório ganha escala
A Austrália foi o primeiro país a estabelecer uma proibição desse tipo, no fim de 2025. A medida busca reduzir riscos associados ao uso das redes sociais por crianças e adolescentes, como cyberbullying, dependência e exposição a predadores.
Desde então, outros países também avançam em propostas semelhantes. Embora os formatos e os critérios possam variar, o movimento sinaliza uma mudança de expectativa: plataformas digitais deverão demonstrar com mais clareza como protegem usuários jovens e como controlam o acesso de menores.
Por que isso importa para as empresas
O impacto não se limita às grandes redes sociais. Empresas que anunciam nesses ambientes, desenvolvem aplicativos com recursos sociais ou usam plataformas digitais para relacionamento com clientes também podem ser afetadas por mudanças de audiência, regras de segmentação e exigências de verificação de idade.
Para as plataformas, o tema envolve riscos regulatórios, reputacionais e operacionais. A necessidade de identificar usuários menores pode exigir ajustes em cadastro, moderação, publicidade e atendimento. Para anunciantes, restrições ao público infantil podem reduzir o alcance de determinadas campanhas e tornar inadequado o uso de segmentações baseadas em idade ou comportamento.
A pressão sobre proteção e governança de dados
Medidas de restrição tendem a aumentar a importância dos processos de identificação etária e de proteção de dados. Esses mecanismos, porém, também precisam ser desenhados com cautela: coletar mais informações para verificar a idade pode criar novos riscos de privacidade e segurança.
Gestores devem tratar o tema como uma questão de governança, e não apenas de marketing ou tecnologia. A empresa precisa saber quais plataformas utiliza, que públicos alcança, quais dados são compartilhados e como os fornecedores lidam com menores de idade.
Recomendações práticas para gestores
Mapeie campanhas, aplicativos e canais digitais que possam alcançar crianças ou adolescentes, mesmo quando esse não for o público principal. Revise as políticas das plataformas usadas pela empresa e acompanhe mudanças regulatórias nos mercados relevantes.
Reavalie segmentações de audiência e criativos publicitários para evitar abordagens inadequadas a menores. Também é recomendável incluir requisitos de proteção infantil, moderação e transparência nas avaliações de fornecedores de tecnologia.
Por fim, estabeleça uma rotina de acompanhamento envolvendo jurídico, marketing, segurança da informação e produto. A expansão dessas restrições indica que decisões sobre público infantil poderão afetar planejamento de mídia, experiência do usuário e gestão de riscos nos próximos ciclos.

